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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Pesquisadores da Sesa conquistam reconhecimento internacional com artigo sobre Covid-19

Arte gráfica: Francisco Oliveira

 Com autoria de pesquisadores da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o artigo Sintomas Clínicos Recorrentes de Covid-19 em Profissionais da Saúde: Uma Série de Casos no Brasilobteve destaque internacional ao figurar no Top 10 do Covid Reference, site com notabilidade global sobre a pandemia. A publicação científica é a primeira do País a acompanhar casos de reincidência por meio de um relato que dá base para muitos aprofundamentos, incluindo o debate sobre a eficácia da esperada vacina para o novo coronavírus.

Entre os autores, Christianne Fernandes Valente Takeda, diretora clínica do Hospital São José; Magda Moura de Almeida, secretária executiva de Vigilância e Regulação da Sesa; e Ricristhi Gonçalves de Aguiar Gomes, coordenadora da Vigilância Epidemiológica e Prevenção da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). Ao quadro de autores somam-se os pesquisadores Jeová Keny Baima Colares, infectologista do Hospital São José (HSJ), unidade da rede estadual; Tatiana Cisne Souza, orientadora da Célula de Informação e Resposta às Emergências em Saúde Pública da Sesa; Matheus Alves de Lima Mota, da Faculdade de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor); e Luciano Pamplona de Góes Cavalcanti, do Curso de Medicina do Centro Universitário Christus.

“Estudar essa possibilidade de recorrência tem uma enorme importância científica, pois isso pode determinar o risco de novo adoecimento pelo Sars-CoV-2. A pesquisa de casos de pessoas com sintomatologia persistente pode trazer muitas informações desse impacto na qualidade de vida das pessoas acometidas e também sobre quais serão os impactos desses sintomas tanto tempo depois dentro do sistema de saúde”, avalia Christianne Takeda, ressaltando os possíveis desdobramentos desses sintomas no sistema de saúde do País.

O artigo analisa seis casos de profissionais de saúde no Brasil que se recuperaram, mas novamente apresentaram sintomas consistentes de Covid-19, com novos resultados positivos do teste. Os casos relatados apresentaram início dos sintomas entre 16 de março de 2020 e 9 de abril de 2020. Os avaliados têm a média de idade de 43 anos.

“A quantidade de artigos que estão saindo de Covid-19 é gigantesca. Nosso artigo ter sido escolhido entre os dez artigos mais importantes, sem dúvidas, é um grande reconhecimento, um grande estímulo”, destaca Keny Colares. O infectologista aponta o pioneirismo da publicação no Brasil, onde alguns pesquisadores já vinham abordando o tema em jornais, mas ainda não havia publicação científica consolidando o assunto. “Se houver um pouco de disposição e apoio, é possível a gente fazer coisas que vão ser admiradas pelo restante do mundo”, completa Keny. Além do site Covid Reference, o artigo foi replicado em inúmeras publicações especializadas.

Vacina e outras dúvidas

O paciente de Covid-19 fica completamente recuperado e depois não vai ter mais nenhum tipo de consequência? Existe alguma sequela de longo prazo? Se acontecer de o paciente ter a doença a segunda vez, será mais leve ou mais grave? São muitos os questionamentos levantados em meio à pandemia, que tornou-se desafio global. No artigo “Sintomas Clínicos Recorrentes de Covid-19 em Profissionais da Saúde: Uma Série de Casos no Brasil”, os autores refletiram sobre diversas inquietações envolvendo o coronavírus.

“Saber o grau de proteção que a gente tem com essa doença vai dar uma ideia do grau de proteção que a gente pode esperar dessa vacina prometida que todo mundo está esperando com muita ansiedade, mas que ainda não temos. Se de repente a Covid-19 se mostrar uma doença de uma proteção muito baixa, a gente vai ter que começar a pensar que talvez essas vacinas não sejam tão protetoras como a gente imaginava”, detalha Keny Colares.

Christianne evidencia que as informações sobre o desenvolvimento do vírus ainda são escassas e, justamente por isso, é fundamental a produção de pesquisa observando como a Covid-19 tem atingido populações variadas. “Vamos ter de enfrentar e talvez prever o impacto na determinação de como essa doença vai refletir no indivíduo e na sociedade que adoece para determinar quais estratégias deverão ser adotadas no combate da doença daqui pra frente”, afirma.

Assessoria de Comunicação do HSJ

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