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segunda-feira, 10 de maio de 2021

Especialistas observam sintomas psiquiátricos em pacientes pós-Covid

 fotos: Milena Fernandes
Artes gráficas: Brauliana Barbosa

 A servidora pública Maria Wanderleia Pereira, de 52 anos, foi diagnosticada com Covid-19 em abril de 2020. Não chegou a ser internada, porém ficou muito debilitada, com vários sintomas da doença que permanecem até hoje. Além dos desconfortos físicos e das dores, ela conta que alguns problemas emocionais também foram desencadeados após ter sido acometida pelo coronavírus.


“Quando passou o período de isolamento, eu me senti diferente, com o meu estado emocional abalado, com crise de ansiedade e síndrome do pânico, que prejudicaram a minha rotina como profissional e dona de casa. Só consegui melhorar com a ajuda psiquiátrica. Fiz uso de medicamentos, comecei a praticar meditação e busquei fortalecer meu lado espiritual para retornar às atividades aos poucos”, revela.

Wanderleia Pereira, de 52 anos, desenvolveu crise de ansiedade e síndrome do pânico após infecção por Covid-19

O psicólogo Adriano Lopes Junior, de 29 anos, também percebeu mudanças emocionais com o diagnóstico de Covid-19, em janeiro deste ano. “Com a confirmação do resultado, veio um turbilhão de dúvidas, insegurança, medo da incerteza da evolução da doença e de transmitir o vírus para os meus pais, que são do grupo de risco”, relata.

Acometido pela Covid-19 em janeiro deste ano, o psicólogo Adriano Júnior ainda enfrenta sequelas da doença

Ainda hoje, o psicólogo continua sentindo dores de cabeça, dor no peito, fadiga e esquecimento. “Não sabemos quanto tempo irão permanecer esses sintomas, o que nos deixa ansiosos e apreensivos”.

De acordo com o psiquiatra Carlos Celso Serra Azul, diretor técnico do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o próprio estresse vivenciado em um momento pandêmico pode ser agravado com o diagnóstico da doença, mas também não se podem ignorar algumas alterações psiquiátricas e neurológicas observadas pós-Covid, principalmente nos casos mais graves da doença.

“Apesar de não termos ainda evidências científicas concluídas sobre os impactos da Covid-19 no desenvolvimento de transtornos mentais, é possível observar que muitos pacientes apresentam algumas alterações relacionadas ao desenvolvimento de comportamento ansioso-depressivo, aparecendo com mais frequência, além de alterações de cunho psicótico-maníaco. Mas ressalto que a causa orgânica dessas patologias ainda estão sendo estudadas e necessitam de maior investigação científica”, explica Carlos Celso.

Alterações neurológicas

O psiquiatra ressalta, também, que estão sendo observadas em alguns pacientes, mesmo nos que apresentaram sintomas leves de Covid-19, alterações neurológicas, como dificuldade no processamento de informações, falta de atenção, raciocínio mais lento e perda de memória. Os transtornos psiquiátricos podem tanto agravar quanto desencadear os transtornos neurológicos e vice-versa. Apesar disso, os dois problemas não estão conectados, necessariamente.

Em relação aos pacientes que já apresentavam algum transtorno mental antes de ser acometido pelo coronavírus, o especialista observa que pode acontecer um agravamento do quadro de saúde mental ou o surgimento de um novo transtorno. “Qualquer agravamento ou surgimento de adoecimento de transtorno mental após uma infecção de Covid merece uma atenção, um cuidado. É importante que os familiares e pacientes fiquem atentos aos sintomas e busquem ajuda de um profissional da área, como psicólogos e psiquiatras, para o tratamento direcionado”, recomenda.

Assessoria de Comunicação do HSM

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