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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Há 30 anos, Ambulatório de Cefaleia proporciona qualidade de vida a pacientes com dores de cabeça

Fotos: Felipe Martins e Acervo pessoal
Arte gráfica: Brauliana Barbosa

 “Cheguei a um ponto de querer desistir da vida”, conta emocionado Carlos Alberto Cordeiro, de 51 anos, ao lembrar das crises de dor de cabeça que sentiu por mais de 15 anos. O vigilante é um dos pacientes que vêm tendo a vida transformada pelo Ambulatório de Cefaleia do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), do Governo do Estado. O serviço, que completa 30 anos de atividade neste mês de fevereiro, acolhe histórias de dor e superação.


“A gente tem aqui casos de pacientes que perderam empregos, que se divorciaram e até adquiriram transtornos depressivos por conta das dores de cabeça”, diz o médico do Ambulatório de Cefaleia do HGF Neudson Alcântara.

O vigilante Carlos Alberto teve como um dos principais desafios manter o emprego. Frequentemente, ele precisava abandonar o posto de trabalho para buscar ajuda em emergências devido às fortes crises. “Era uma dor que jamais desejo para qualquer ser humano. Não tinha vontade nem de comer”, lembra.

Vigilante Alberto Cordeiro, de 51 anos, sentiu crises de dor de cabeça por mais de 15 anos; quadro melhorou após tratamento no ambulatório do HGF. FOTO: Arquivo pessoal

Para ele, o caminho entre a dor e a superação foi atravessado em 2018, com o início do tratamento no ambulatório. O diagnóstico: cefaleia em salvas, uma doença rara também conhecida popularmente como “dor de cabeça suicida”, por causa da intensidade. Seguindo à risca as indicações medicamentosas, ele já comemora dois anos sem crises.

Não é normal sentir dor

Para Neudson Alcântara, é comum ver pessoas que não buscam ajuda por acreditarem erroneamente que é normal sentir dor de cabeça. “Como é uma doença de alta prevalência, as pessoas acabam deixando para se tratar apenas quando ela se torna crônica, o que torna o tratamento mais difícil”, ressalta o neurologista.

É o caso da Flávia Nunes, de 56 anos. Natural de Trairi, a 137 km de Fortaleza, a professora de educação infantil relata que sente dores de cabeça desde a adolescência. “Começou quando, eu tinha entre 12 e 13 anos. Naquela época, não me prejudicava tanto assim. Minha mãe fazia um chá e íamos levando”, rememora. Só em 2014, aos 49 anos, Flávia iniciou o tratamento no HGF. “Passava duas semanas sentindo dores o tempo inteiro. Só conseguia dormir com uma bolsa de gelo na cabeça”, afirma. Diagnosticada com enxaqueca, a professora continua em tratamento na unidade. “A esperança é continuar melhorando a cada dia”.

Quando devo procurar ajuda?

“Qualquer dor de cabeça incapacitante deve ser um sinal para buscar ajuda”, indica Alcântara. No entanto, como explica o médico, as dores de cabeça mais amenas também precisam ser analisadas quanto à periodicidade. “Quando essa dor passa a acontecer por mais de 15 dias em um mês, por mais de três meses seguidos, torna-se um padrão crônico que precisa ser tratado”, orienta.

Outro fator importante a ser observado é o aparecimento de “novas dores de cabeça”, dores que nunca foram sentidas antes; e dores acompanhadas de outros sintomas, como desmaio, visão dupla, febre, cansaço extremo, entre outros. “É preciso investigar, pois essa dor pode ser algo secundário, uma expressão de uma outra doença por trás”, explica o neurologista.

O perigo dos analgésicos

Uma das grandes preocupações da equipe do ambulatório é o uso abusivo de analgésicos por parte dos pacientes. “Quase 100% deles utilizam analgésicos em excesso, sem a nossa recomendação”, alerta Alcântara. Preocupação que se estende também à população em geral. “Existe essa cultura de simplesmente ir ao balcão da farmácia e comprar um remédio para aliviar a dor”.

Como explica o médico, é aceitável tomar esses medicamentos analgésicos uma ou duas vezes por semana. O problema é passar desse limite. “É um abuso que tem o poder de cronificar, de fazer uma dor de cabeça simples, de fácil controle, se tornar mais constante e incapacitante”, adverte.

Mais de 65% dos casos atendidos são de enxaqueca

Desde as mais simples às mais raras, são mais de 150 tipos de dores de cabeça catalogados na Classificação Internacional de Cefaleias, publicada pela Sociedade Internacional de Cefaleia. Todos são atendidos pelo ambulatório do HGF. Mas as enxaquecas, como as da paciente Flávia Nunes, são as mais comuns, fazendo parte da realidade de mais de 65% dos pacientes atendidos pelo ambulatório.

“A enxaqueca é uma doença genética. Você nasce carimbado com esse gene, mas pode a vir a manifestar ou não”, explica o médico. Sedentarismo, falta de sono reparador, má alimentação, ansiedade e até abuso de analgésicos são algumas das condições apontadas pelo neurologista como “gatilhos” para a manifestação das crises. “Por isso é tão importante manter um padrão de vida saudável”, acrescenta.

30 anos de história

Com um saldo de mais de 40 mil atendimentos, o Ambulatório de Cefaleia do HGF completa três décadas de atividade neste mês de fevereiro. “A criação do ambulatório foi muito importante para dar vazão à demanda de pacientes com queixa de dor de cabeça e que necessitavam de atendimento especializado”, ressalta o médico e fundador do ambulatório João José Carvalho. O neurologista deu início ao serviço no HGF em 1991, usando os moldes do atendimento que já realizava na capital do Rio de Janeiro.

São mais de 150 tipos de dores de cabeça catalogados na Classificação Internacional de Cefaleias e atendidos pelo Ambulatório de Cefaleia do HGF

Para Carvalho, uma das maiores satisfações do trabalho é poder ver no rosto dos pacientes a transformação de vida pós-alta. “São muitas histórias que sublinham ainda mais a importância desse ambulatório e a contribuição dele para a melhoria da qualidade de vida pessoal, conjugal, familiar, profissional e social dos sofredores de dor de cabeça”, afirma.

Atualmente, o Ambulatório de Cefaleia atende às quartas-feiras uma média de 100 pacientes por mês. Todos são encaminhados pelas redes primária e secundária de saúde ou provenientes da Emergência da unidade. O HGF disponibiliza, ainda, exames como ressonância magnética e tomografia computadorizada, necessários para investigação eficaz de alguns casos de dores de cabeça.

Assessoria de Comunicação do HGF

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