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sexta-feira, 10 de julho de 2020

Fenômenos naturais e a dizimação das áreas verdes: qual a relação?


Ciclone que atingiu região sul do País na última semana foi potencializado por fatores meteorológicos e atmosféricos e provoca alerta sobre alterações climáticas e desmatamento

O ciclone que atingiu o sul do Brasil, na última semana, causando um grande rastro de destruição na região, incluindo a morte de pelo menos 10 pessoas, acendeu mais um alerta para a importância das políticas ambientais e a defesa da discussão sobre as questões climáticas no País. Segundo meteorologistas, fenômenos do tipo são comuns para a região nesta época do ano e são chamados de “ciclones extratropicais”. Eles acontecem, geralmente, associados a contraste de temperatura. No entanto, o evento que atingiu grande parte do sul brasileiro nos últimos dias foi potencializado por outros fatores meteorológicos e atmosféricos e teve um diferencial: a queda brusca de pressão, sendo classificado como “ciclone bomba”. O fenômeno provocou fortes chuvas e rajadas de vento, além de intensa queda de temperatura nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Leonardo Calvetti, chefe do Centro de Previsões e Pesquisas Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), explicou, em entrevista ao jornal Brasil de Fato, que os ciclones extratropicais influenciam e são influenciados pela condição sinótica, uma circulação muito intensa de calor e umidade. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a  região Sul do Brasil é ciclogenética, ou seja, propícia para a formação de ciclones, principalmente em estações de transição, mas a formação de sistemas tão intensos como o mais recente são raras.

Vídeos mostrando os transtornos causados pelo ciclone, em vários municípios dos estados atingidos, viralizaram nas redes sociais e assustaram brasileiros também de outras regiões, provocando alertas acerca da urgência em tratar da relação dos fenômenos naturais com a degradação do meio ambiente e da natureza. Embora afirmem que ainda seja necessário haver uma investigação maior para determinar se o ciclone-bomba é resultado direto de ação humana, ambientalistas acreditam que ele esteja associado às mudanças climáticas. Estudos produzidos recentemente demonstram ainda que, diante do quadro de aquecimento global, a tendência é que fenômenos do tipo ocorram de forma mais intensa.

Degradação do meio ambiente e aumento da emissão dos gases de efeito estufa podem contribuir para impactos ainda mais severos

À medida em que as políticas ambientais vêm sendo desconsideradas pelo poder público e o desmatamento avança, principalmente, na região amazônica, chegando a aumentar 171% no último mês de abril, em comparação com o mesmo período do ano passado, e a bater recorde de alertas no primeiro trimestre de 2020, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a emissão de gases do efeito estufa também pode crescer entre 10% a 20% em 2020. É o que conclui recente relatório do grupo Observatório do Clima.

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e absorve grandes quantidades de gases de efeito estufa. Enquanto o cenário for esse, os mais variados de padrões de temperatura e precipitação podem ser sentidos, abrindo possibilidades para que haja impactos ainda mais severos do que os que estão sendo observados recentemente no País.

O que podemos fazer no dia a dia para diminuir os impactos do efeito estufa?

Além de procurar se informar sobre as políticas ambientais e de sustentabilidade e estar atento às medidas que os governos e órgãos competentes de todas as esferas do poder público tomam e deixam de tomar a respeito da preservação das áreas verdes e da natureza, simples ações e atitudes cotidianas podem reduzir os danos ao ambiente e resguardar os recursos naturais por mais tempo.

Uma das principais formas de agir em favor da manutenção do equilíbrio climático e da redução de gases do efeito é o investimento na arborização de espaços coletivos e privados. Além de absorver o calor do sol e atenuar as temperaturas, as árvores também melhoram a qualidade do ar, aumentando a sua umidade. Segundo o sanitarista ambiental Fabrício Pereira, proprietário da Bonjardim Ambiental, empresa especializada em implantação e manutenção de áreas verdes e consultoria em diversas áreas no segmento de projetos ambientais, as árvores podem diminuir a sensação térmica em até cinco graus, além de ajudar a melhorar o escoamento da água após tempestades.

O especialista defende a importância de preservar também as florestas urbanas. “Se faz cada vez mais importante que as cidades tenham uma quantidade maior de árvores em cada rua, e ainda mais importante, que essas cidades preservem as florestas que prestam muitos serviços à vida cotidiana. Muitas vezes não nos damos contas deles, mas perceberíamos rapidamente caso desaparecessem por completo. Efeitos extremos, como secas, aumento da temperatura, tempestades mais fortes e fenômenos como os que observamos na região sul são todos problemas que já ocorrem, mas à medida que a frequência e a gravidade desses eventos climáticos aumenta, é sinal de que essas florestas estão sendo destruídas e o ecossistema desequilibrado”, pontua.

O papel das florestas urbanas também é percebido na regulação dos ciclos hídricos não apenas no nível das bacias hidrográficas locais, mas na geração de chuvas nos continentes, garantindo a produtividade contínua dos sistemas agrícolas globalmente.

Fabrício afirma ainda que a educação ambiental pode ajudar os cidadãos a tomarem decisões que levem em conta a economia verde e a proteção de ecossistema. “É preciso exigir novas formas de proteção às florestas naturais, como a Amazônia e o Pantanal, bem como todas as áreas de preservação ambiental, evitando o desmatamento irregular, as ações de queimada para a destruição de novas áreas de plantação indevidas, mas também exigir que o problema da degradação das florestas urbanas seja tratado prioritariamente pelas prefeituras de todas as cidades. Precisamos exigir o aumento da quantidade de árvores e protestar pelos cortes arbitrários feitos para alargar avenidas, por exemplo, e lembrar que nós também podemos fazer a nossa parte plantando mais árvores, conclui.    

Por Maiara Matos

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