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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Especialistas orientam sobre o consumo correto de chás


Se digitarmos nos sites de busca “chás para emagrecer”, os resultados passam dos milhões. São dicas como “os 7 chás que ajudam a emagrecer e perder a barriga” ou até “chás para emagrecer dormindo”. Essas orientações parecem tentadoras para quem busca perda rápida de peso, sem esforço. Mas passam longe de um emagrecimento saudável e mais distante ainda do bom funcionamento de um dos principais órgãos do nosso corpo: o fígado, responsável por armazenar glicose, pela produção de proteínas, por metabolizar o colesterol e excretar pela bile.
De acordo coordenadora do ambulatório de hepatites do Hospital São José (HSJ), da rede pública do Governo do Ceará, Elodie Bonfim Hyppolito, é preciso cautela. “A população tem a falsa ideia de que, por ser natural não causam danos à saúde e isso não é verdade. As pessoas acreditam que estão limpando o organismo e tomam alguns chás de forma exagerada”, ressalta a médica. O uso contínuo de alguns deles como noz-da-índia, chá verde, hibisco, pholia negra, entre outros chás para perda de peso, pode causar sérios danos ao órgão, entre eles hepatite fulminante, hepatite crônica e cirrose.
Os chás de uma maneira geral trazem benefícios mas o seu consumo deve ser prescrito por um nutricionista de acordo com o perfil de cada pessoa. “O chá de hibisco, famoso nas dietas, ajuda a regular o intestino, mas em excesso, pode sim causar lesões graves no fígado. Da mesma forma, o chá verde que ajuda no antienvelhecimento da pele, em excesso também é danoso ao fígado”, explica a nutricionista, Ana Luiz Rezende. Na lista dessas ervas que são verdadeiros vilões das funções hepáticas, se utilizados de forma exagerada estão ainda a erva de São João, moringa, sacaca, entre outros.
As hepatites virais são as mais comuns, porém os vírus não são os únicos que podem prejudicar o fígado. Suplementos alimentares também representam perigo para as funções hepáticas. “O que muitas pessoas não sabem é que os suplementos alimentares consumidos em algumas dietas para emagrecimento podem ser tão danosos ao fígado quanto outros já conhecidos inimigos desse órgão. Produtos alimentares usados em academias para turbinar músculos também trazem em sua fórmula hormônios sintéticos que podem causar prejuízos ao fígado, como hepatite aguda, hepatite fulminante, Budd-Chiari (trombose vascular), cirrose, adenoma, hiperplasia nodular focal e hepatocarcinoma”, comenta Elodie, hepatologista do HSJ.
A estudante Laura Barbosa (nome fictício), 32, usou por mais de cinco anos suplementos alimentares. Ela buscava a perda de peso, ganho de massa muscular imediata e sem grandes esforços. “A promessa desses produtos era substituição de refeições, menos calorias e perda de peso rápida. Fui vendo que estava emagrecendo mesmo e tinha medo de parar e voltar a ganhar peso. Paguei um preço bastante alto e quase morri. Hoje continuo no tratamento da hepatite”, diz
Rotina saudável
Com a ajuda de um nutricionista e sem depender de dietas restritivas ou dietas da moda, o importante é aderir um estilo de vida saudável. Beber bastante água, reduzir o consumo de sal e açúcar, não pular refeições, investir em frutas da estação moderadamente, realizar atividade física regularmente, pelo menos três vezes por semana, incluir fibras e de gordura boa na alimentação.
“Algumas dicas podem ajudar a começar a esse processo até que ele vire rotina. Escolher um lugar e horário certo para comer, deixar a garrafinha de água sempre por perto, estabelecer metas de atividades físicas e alimentares para a semana intercalando com as atividades laborais ou domésticas, comer sem culpa”, finaliza a nutricionista.
Fonte: SESA


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