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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Especialista orienta sobre atenção a sinais de ideação suicida em adolescentes

Arte gráfica: Jeorge Farias
Setembro é o mês mundial da prevenção do suicídio. Conhecido como Setembro Amarelo, o período é reforça a mobilização para refletir sobre um problema que vem atingindo não só os adultos, mas também muitos adolescentes e jovens. O suicídio é um ato extremo onde um indivíduo acredita que não há mais solução para a situação em que se encontra, surgindo como única alternativa a retirada da própria vida. Durante muitos anos, esse assunto era um tabu e pouco se falava sobre o tema.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um dos maiores problemas mundiais de saúde pública, o suicídio, é responsável por mais de 800 mil mortes por ano. O número de óbitos autoprovocados é maior que aqueles causados por homicídio: 800 mil por ano contra 470 mil. São mortes prematuras que poderiam ser evitadas. No caso de adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos), o suicídio é a segunda principal causa de morte no mundo.
No Brasil, o suicídio também está entre as principais causas de morte entre jovens e adolescentes. De acordo com estudos realizados este ano, a taxa de suicídio de adolescentes aumentou 24% em cinco grandes cidades brasileiras (Porto Alegre, Salvador, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro) e 13% no Brasil entre 2006 e 2015. A psiquiatra do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), Lívia Eugênio, especializada em Psiquiatria da Infância e Adolescência, explica que a causa é multifatorial.
“Podemos citar aspectos sociais como grandes desigualdades econômicas, desemprego, residência em área rural, residência em áreas pobres, discriminação de vários tipos, bullying, influências de mídias sociais, pobre suporte familiar, dificuldade de relacionamento com amigos, história de negligência, de violência física, sexual e psicológica, depressão, dependência química, quadros de psicose não tratados, transtornos de identidade de gênero e transtornos alimentares, além de fácil acesso a meios letais”, alerta.
A orientação é que os pais, familiares e amigos fiquem atentos aos sinais de sofrimento psíquico do adolescente ou jovem e busquem ajuda o mais rápido possível. A psiquiatra cita alguns sinais mais importantes e que devem ser observados. “O primeiro deles é o isolamento social. Eles se isolam dos amigos. Não é o passar mais tempo no quarto, pois essa atitude é comum nesta fase, mas o recusar situações sociais que antes gostava de fazer ou evitar contatos com amigos muito próximos”, explica a psiquiatra.
De acordo com Lívia, há outros fatos que requerem atenção especial. “Postagens de imagens tristes ou abstratas ou de textos e poemas tristes; ouvir músicas que falam sobre suicídio; presença de lesões ou cicatrizes oriundas de autolesões, aquelas que são provocadas no próprio corpo; desenhos com aspecto triste ou de desesperança; conversas ou contextos de despedidas; não ter planos para o futuro ou referir o futuro como incerto; cartas de despedida; queda brusca do desempenho escolar; história prévia de ideias de morte ou suicídio; apatia e desesperança”, cita.
Foi o que aconteceu com a adolescente L.H.M, 14. Ela é paciente do Núcleo de Atenção a Infância e Adolescência (NAIA) do HSM. Há três anos, a jovem realiza tratamento para depressão. Ela conta que aos 11 anos foi vítima de bullying no colégio e se sentia triste, feia, inferior às amigas. “Eu não tinha ânimo para nada, não queria ver ninguém, sentia muita tristeza e não sabia explicar o motivo. Muitas vezes eu cortei meus braços e minhas pernas”, revela.
A mãe da adolescente, Maria da Conceição Mourão, que sempre acompanhou a filha nas consultas do HSM, conta que foram momentos de muito sofrimento para a família. “Eu não dormia direito porque durante a madrugada minha filha levantava e se cortava. Isso aconteceu muitas vezes. Eu tentava passar a noite inteira acordada para evitar que ela se cortasse, mas quando eu não resistia e pegava no sono, o que eu mais temia acontecia. O que salvou minha filha foi o tratamento psiquiátrico realizado aqui no HSM. Hoje ela está bem melhor”, relata.
De acordo com a psiquiatra Lívia Eugênio, a família, a escola, os amigos e qualquer pessoa que conviva com um adolescente que apresente ideação suicida precisa estar atento e tentar manter um relacionamento de escuta e de compreensão, evitando o julgamento de qualquer natureza. Deve se posicionar como apoio e ajuda quando necessário, disponibilizar ajuda profissional o mais breve possível, evitando a evolução para casos mais graves. “Proporcionar uma boa rede de apoio e oportunidades de experiências de lazer entre pares são potencialmente benéficas para a saúde mental dos adolescentes”, enfatiza.
Atendimento
O Núcleo de Atenção a Infância e Adolescência do HSM dispõe de um ambulatório para tratamento de crianças e adolescentes com transtornos de humor, o principal transtorno relacionado ao risco de suicídio, com avaliação e acompanhamento psiquiátrico e psicológico, bem como um ambulatório de acompanhamento das suas famílias. O atendimento é realizado após encaminhamento de outras unidades.
O tratamento e manejo de crises são essenciais para a superação do problema. Além disso, o HSM dispõe de uma emergência psiquiátrica para pronto atendimento de situações de alto risco e tentativa de suicídio. Se você tiver algum sofrimento psíquico ou se tem algum familiar ou amigo vivendo uma situação de risco, procure ajuda profissional agora mesmo.
Serviços disponíveis:

Emergência 24 horas no Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM) – Rua Vicente Nobre Macedo s/n, Messejana, Fortaleza/CE – Fone: (85) 3101-4348
PRAVIDA – (85) 98400-5672
Centro de Valorização da Vida (CVV) – 188

Assessoria de Comunicação do Hospital de Saúde Mental

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